É PRECISO CRITICAR A CRÍTICA

     Uma Crítica que se ocupa de verdade com a Poesia ou outras formas de arte, demonstra a riqueza do seu olhar dentro da sua escrita pontual. Já o professor que não sabe lidar com as suas próprias frustrações ou o pseudo polemista, sem pensar, ataca logo a pessoa que se identifica enquanto Poeta… Se a pessoa estiver em evidência, melhor ainda.

         Em alguns lugares, o amadorismo é tão evidente que a seleção não pela escolha estilística, mas por meros “critérios” passionais. Já se a proposta for tentar acabar com o trabalho, basta que a pessoa discorde de você ou tenha lhe excluindo de uma rede social. E assim elegem as obras imortais.

Já a figura do crítico mal-humorado representa a pior caricatura do intelectual. E se lembrarmos da etimologia da palavra, perceberemos que a palavra critica não tem nada a ver com “recalque”, e sim,  com escolha. Todavia, se a escolha será responsável por divulgar um trabalho que visa representar não apenas um grupo, mas um tempo, seria minimamente viável estudar um pouco mais a estética filosófica ao invés de reproduzir tantos achismos.

Outro vício estranho é achar que a crítica sabe o que é bom… Mas, quem é que critica a crítica? A crítica existe para levantar questões ou para declarar sentenças? O problema é que algumas pessoas acreditam que o crítico é aquele que “tem a coragem de dizer a verdade”, mesmo que essa “verdade” só represente o despeito de algum outro grupo. O que acontece é que, dentro do jogo político, essas pessoas chutam as outras para movimentar as arquibancadas das emoções. O que, especificamente para a crítica da poesia (ou de outra Arte), não acrescenta nada.

        Lamentável é perceber que essas criaturas passionais, ainda ocupam grandes espaços que poderiam servir para aumentar o nível do debate sobre a Arte. É lamentável que grandes jornais e revistas ainda invistam nesse tipo de superficialidade.  Agora, permitir e estimular que essas criaturas usem o espaço público para atacar as pessoas… É desprezível.

      Para criticar a arte, é preciso olhar de forma minuciosa. Ler muito mais do que uma gramática e se desprender dos manuais literários. É preciso ler sobre a Estética e também pensar sobre a linguagem. É precioso pensar no porque da existência daquele trabalho. Pode ser também muito interessante analisar a conjuntura histórica da sociedade, mas até isso dependerá da escolha e da boa argumentação. Enfim, podemos considerar uma série de outras questões.

      A crítica pode ser muito valorosa quando transcende a sua ilusória onipotência (Não é entediante ficar dizendo só o que é bom ou o que é ruim?). Ao esmiuçar e escolher, a crítica pode se tornar grandiosa e ser um parceiro da obra. E se, por “estilo”, preferir ficar no jogo bicolor, que os textos possam nos mostrar menos remixes de referências (o trabalho é uma mistura de Rimbaud com Verlaine) e nos despertem para pensar muito mais no subtexto.

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Texto escrito por Eunice Boreal ©