Ê vidente

             É possível reconhecer uma boa crítica, quando quem escreve considera bem a inteligência do leitor e da obra criticada. Uma boa crítica, mesmo quando discordamos dela, nos proporciona sempre o espaço da reflexão. Uma crítica ruim, pelo contrário, tenta impor verdades ao leitor e pode chegar até à omitir trechos da obra referida.

               O problema da crítica ruim é sempre a falta de leitura. E quando digo *Leitura*, me refiro à um sentido mais amplo… Não à pratica da leitura dinâmica. Infelizmente, alguns preferem exercitar um sadismo grosseiro e chamar isso de crítica. Mas, criticar é eleger, não é açoitar. Esse costume vulgar, de algumas pessoas que se nutrem de uma autoridade imaginária, não demonstra nada mais do que o desespero diante da sua própria insignificância.

      Luigi Pareyson, no seu livro “ Os problemas da estética” faz uma boa distinção entre estética e poética. Acredito que a clareza dessas distinções pode enriquecer qualquer crítica. Nesse, e em outros livros, esse autor e também diversas Filósofas, notam a grande contribuição que a Estética Filosófica pode favorecer para a leitura e a reflexão artística.

       Mas, existem diversas formas de se fazer crítica, assim como existem diversas formas de se fazer arte… No entanto, ao ler e ao escrever é preciso, no mínimo, nutrir o brio e também o cuidado. Quando Poetas, atores, cineastas e demais artistas se colocam enquanto críticos, principalmente. Porque afinal, quando uma leitura é capaz de nos transcender, todos somos capazes de ganhar com isso. Inclusive, a nossa Arte.

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Eunice Boreal.

Outubro de 2015.