Bendito Bazin

(depois daquele Truffaut)

Nunca tinha dado um mergulho.
Já havia mentido.
Roubava regularmente.
Durante o dia subornava o professor de línguas,
À tarde chantageava o amante de sua mãe…
Só a noite é que era cinema.
Cigarro, puberdade e Balzac.
Não pensava em ser escritor,
Queria mais, muito mais.
Mas, entre closes e bandidagens,
Roubou uma máquina datilográfica
E por não conseguir vendê-la
Ganhou a escrita de todas as linguagens.
Imerso no seu cine-poema
Sofreu a pena da cela pequena
E na primeira fuga, ao lembrar
Do homem da projeção, chamou
Seu melhor amigo de mar.

*

Poema de Eunice Boreal ©

Presente em “Partícula