A arte de resplandecer com Hildegard von Bingen

         A arte de resplandecer com Hildegard von Bingen

           Os cantos trovadorescos compostos por Hildegard von Bingen teceram iluminações poéticos-musicais. Se para os antigos Gregos as nove musas são seres soberanos e inigualáveis que inspiram poemas, ciências e canções, para essa monja beneditina, mística, teóloga, compositora, pregadora, naturalista, médica informal, poeta, dramaturga, escritora e mestra do Mosteiro de Rupertsberg, a Música é que é a grande Musa:

“Podemos ouvir o fulgor da luz espiritual brilhando do céu. Podemos ouvir a profundidade do pensamento dos profetas. Podemos ouvir a sabedoria dos apóstolos se espalhando pelo mundo inteiro. Podemos ouvir o sangue a pingar das chagas dos mártires. Podemos ouvir os mais íntimos movimentos do coração que caminha para a santidade. Podemos ouvir a alegria de uma menina diante da beleza da terra de Deus. Na música a criação devolve para seu Criador seu júbilo e sua exultação; e dá graças por sua própria existência.”

Image of Hildegard of Bingen in St. Rochus Chapel (Bob Sessions photo)
Image of Hildegard von Bingen in St. Rochus Chapel. (Bob Sessions photo)

       Em todos os tempos, Místicos, Poetas e Profetas criam uma vida de devoção à arte. Não menos devotos, técnicos e estudiosos investigam a relação entre as artes. Com simplicidade, mas sem aderirir soluções simplistas, obras majestosas delineiam encontros possíveis. Por isso, em tantos tempos, a poesia canta, dança e interpreta. No século XIX, Richard Wagner acredita na música como regente de uma obra de arte total (Gesamtkunstwerk). Mas é desde o século XI, que Hildegard canta: “A música expressa a unidade do mundo como ela era no princípio”.

          Dentro da obra “Symphonia armonie celestium revelationum“, Hildegard von Bingen demonstra uma peculiar reflexão sobre a estrutura e o objetivo da arte musical. Tocada por epifanias, a artista reconhece na arte, atributos divinos que conduzem a humanidade à elevação. No entanto, as primeiras obras históricas que temos acesso, como por exemplo “Vênus de Willendorf”, os monumentos egípcios, as obras trovadorescas de Margarita Porete, Beatriz de Nazaret, Matilde de Magdeburgo, Hadewijch de Amberes e até mesmo na racionalista modernidade, várias referências nos inspiram a ideia de que Hildegard não solfeja sozinha, e sim, faz parte de uma polifonia universal, onde a celebração divina através da arte sempre está presente.

Eunice Boreal ©

The Symphonia armonie celestium revelationum, and Ordo virtutum comprise the final 16 folios of the Riesencodex, the monumental collection of Hildegard’s literary and musical œuvre, and was compiled at Bingen am Rhein between approximately 1175 and 1190, partially under her direct supervision. http://conquest.imslp.info/files/imglnks/usimg/e/e2/IMSLP80324-PMLP162944-Symphonia_et_Ordo_virtutum.pdf